Socorro, meu filho aprendeu a fazer birra!

Quem nunca presenciou ou foi vítima de uma birra infantil que atire a primeira massinha.

Em casa, na escola, no shopping ou no supermercado, não importa. As birras ensurdecedoras geram muito constrangimento e angustia aos pais.

Por que isso acontece?

No caso de crianças muito pequenas que ainda estão em fase de aquisição da oralidade, manifestar seus desejos ou descontentamentos através de birras é uma maneira de se fazer ouvida. Já em crianças maiores, a birra é uma maneira mais intensa de manifestar tédio, cansaço, fome, sono e tantos outros sentimentos e impulsos que a criança ainda não possui habilidade de controlar. Crianças muito mimadas, por exemplo, dificilmente entrarão em acordo com o adulto quando se sentirem frustradas, por não serem atendidas imediatamente.

E agora, o que fazer?

Não se desespere, afinal de contas em algum momento da sua infância você também já passou por isso. É muito comum pais que trabalham o dia todo e precisam confiar os cuidados dos seus filhos a escolas ou babás sentirem-se culpados por não estarem tão presentes ou bem dispostos para brincar quando retornam para casa. Esse sentimento de culpa geralmente é o passaporte para o início das birras. É valido dizer que, mais importante do que a quantidade, é a qualidade, ou seja, de nada adianta um quarto cheio de bonecas e carrinhos se o brinquedo predileto é você. “Brinque com o seu filho”. É importante ressaltar o perigo do uso excessivo de aparelhos eletrônicos pelos pequenos. Crianças que ficam muito expostas a esses recursos, sem a supervisão de um adulto, ficam entediadas e intolerantes com mais frequência, pois esperam que suas vontades sejam atendidas tão rápido quanto a velocidade do aparelho.

Seguem algumas dicas para esses tensos momentos de birra:

  • Mantenha a calma;
  • Ignore o choro até a criança se acalmar e aliviar a frustração. Interfira apenas caso haja risco de acidente. Com o tempo, ela perceberá que a birra não surte mais efeito como meio de chamar a atenção;
  • Não atenda à birra, mas ao pedido;
  • Coloque-se na altura da criança para conversar;
  • Use comunicação clara e continua, o diálogo fortalece a relação;
  • Converse sobre o porquê e como está se sentindo;
  • Não ceda ou tente comprar a criança com coisas, isso fortalecerá as birras;
  • Evite contradições. Se um adulto disser que não, o outro precisa apoiar. Isso evita que a criança fique dividida e confusa;
  • Evite ameaças com punições que não serão cumpridas;
  • Em hipótese alguma, use de violência física;
  • Não tenha medo de dizer não para a criança. Ela ainda não é capaz de discernir o que é melhor naquele momento;
  • Abrace-a com carinho reforçando que você a ama, mas que não gosta da birra, que não aprova esse comportamento;
  • Seja compreensivo, a criança precisa da sua ajuda para aprender a lidar com esse universo tão grande e cheio de novos sentimentos e emoções.

Deixem o brinquedo e sejam o brinquedo um do outro. Divirtam-se! Diretora Pedagógica

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Um dos maiores prazeres que esta coluna me dá é usar a força e o enorme peso deste jornal para discutir pautas fora da caixa. Um das discussões de ponta hoje no mundo, não nas principais economias, mas no que eu chamo de principais sociedades, como as nórdicas, é o foco em bebês. A maioria das pessoas tem filhos no momento de sua vida profissional em que elas têm menos tempo para ser pai ou mãe. Mas são justamente os primeiros 18, 24 meses dos bebês que os estudiosos do assunto chamam de “momento Harvard”. A gente dá tudo na vida para colocar os filhos na USP, na FGV, no Insper, em Harvard, em Stanford. Mas é do zero aos 18 meses que o chip Harvard é colocado neles. Por isso é fundamental que casais modernos e futuros pais se informem sobre esse rico debate que se trava hoje no mundo avançado. Um debate que deve gerar políticas públicas modernas e práticas familiares modernas também. O cérebro humano se desenvolve muito rapidamente logo depois do nascimento, atingindo quase metade do seu tamanho adulto com apenas poucos meses de vida. É uma máquina de conhecimento que precisa ser cuidada e estimulada desde cedo. O bebê não pode ficar só ao cuidado de terceiros, da TV ou da Galinha Pintadinha. Cantar para o bebê é fundamental. Incentivá-lo em avanços cognitivos é imprescindível. Ser um pai e uma mãe modernos é dedicar atenção ao bebê justamente naquela hora em que se chega em casa completamente exausto. Conheço esses problemas e fui muitas vezes omisso terceirizando esse cuidado. Hoje está mais do que provado que é o casal, a família e eventualmente um profissional modernamente orientado que vão fazer com que o bebê se desenvolva intelectualmente naquele momento Harvard, naquele momento de fundação de prédio. Se você está grávido, futuro papai ou futura mamãe, “google” tudo sobre esse assunto. Consulte o site Raising Children Network, custeado pelo governo australiano. O governo de lá, como o de muitos países desenvolvidos, estimula como pode e com cada vez mais recursos a reprodução de seus cidadãos. A Suécia, o país mais avançado da União Europeia nesse assunto, foca a assistência e os benefícios tanto na mãe quanto no pai, garantindo que ambos possam exercer os mesmos direitos e cumprir as mesmas obrigações nesse período tão importante não só para o bebê mas para toda a família. Os resultados mostram que estão no caminho certo. Veja também uma excelente entrevista da ex-secretária de Estado americana e recém-vovó Hillary Clinton para a TV CNN sobre o assunto. Minha mãe, engenheira formada em 1957 e que me teve em 1958, cantava para me pôr a dormir. Na entrevista, Hillary conta como essa prática de ninar é importante para os bebês. E não é só a vida acadêmica que começa a ser moldada quando se é um bebê. Outro dia o “New York Times” divulgou uma série de novas pesquisas apontando que os hábitos alimentares estabelecidos quando nós ainda somos bebê têm enorme influência no que comeremos durante toda a vida. Nessa era em que cada vez mais somos o que nós comemos, é bom prestar muita atenção no que seu bebê está comendo ou no que você está dando para ele comer, pois ali está nascendo o padrão alimentar do seu filho para o resto da vida dele. E, claro, não crie seus bebês apenas para o futuro. É preciso criá-los para o presente também. Nós não temos que dar aos bebês brinquedos que os deixem entretidos e quietos, mas motivados, articulados e pensativos. E falar com eles quando pensamos que eles não estão escutando. Os bebês compreendem a linguagem muito antes de aprender a falar. Agora que eu me preparo para ser avô num futuro próximo, vou estudar para isso. Para poder ajudar meus filhos modernamente atarefados, dividindo com eles a tarefa de dar ao bebê seu primeiro diploma: um cérebro afiado para tudo mais.